Palestra sobre inteligência artificial: como escolher
05 de fevereiro de 2026 · wys
Quem monta a programação de uma convenção, um kickoff ou um encontro de lideranças já entendeu que inteligência artificial virou item obrigatório de pauta. O que raramente está claro é qual palestra contratar. E a diferença entre uma escolha e outra não aparece no palco: aparece na segunda-feira seguinte, quando a plateia tenta lembrar o que fazer com o que ouviu.
Este texto não é sobre tendências de IA. É um guia de avaliação para quem organiza o evento e precisa julgar propostas antes de fechar agenda.
O problema da palestra padrão
Existe um roteiro que se repete com regularidade desconfortável: linha do tempo da tecnologia, demonstração de prompt ao vivo, três previsões sobre profissões que vão desaparecer e a moral da história — quem não se adaptar, fica para trás.
Esse formato tem um mérito real — entretém, gera aplauso e rende bem em foto. Também tem um defeito estrutural: ele não é falso, é apenas inconsequente. A plateia sai com a sensação de urgência e sem nenhum critério para agir. Passadas duas semanas, o efeito líquido sobre a operação é zero.
Para quem organiza, o custo disso não é só o cachê. É o espaço de agenda e a atenção de um público que raramente se reúne no mesmo lugar. Pior: uma palestra genérica queima o assunto internamente — da próxima vez que alguém propuser o tema, a resposta será "já fizemos isso".
Três critérios que separam uma palestra útil de uma palestra decorativa
1. O palestrante opera ou só observa?
Essa é a pergunta que mais discrimina. Existe uma diferença de natureza entre quem comenta o mercado de IA e quem implanta sistemas de IA dentro de empresas com restrição de orçamento, dado bagunçado e time resistente.
Quem só observa fala de impacto, disrupção e futuro. Quem opera fala de coisas menos fotogênicas: onde o projeto trava, quanto custa manter um agente rodando, o que fazer quando o modelo alucina em produção e como se decide o que automatizar primeiro. É esse repertório que a plateia não encontra sozinha no YouTube.
No briefing, pergunte de forma direta: o que você colocou em produção nos últimos doze meses e o que deu errado nesses projetos? A qualidade da resposta antecipa a qualidade da palestra. Vale também ler o que a pessoa escreve fora do palco: quem sustenta análise técnica pública sobre modelos e agentes dificilmente entrega uma hora de lugar-comum.
2. O conteúdo se adapta ao público?
Uma plateia de conselho e diretoria não precisa do mesmo conteúdo de uma equipe comercial, e nenhuma das duas precisa do que interessa a um time técnico. O conselho quer critério de alocação de capital e risco. O comercial quer o que muda no ciclo de venda. O técnico quer arquitetura e limite dos modelos.
Peça para ver como o material muda entre um caso e outro. Se a proposta for a mesma apresentação para qualquer plateia, você está comprando um vídeo caro. Um bom sinal é o palestrante fazer perguntas antes de aceitar: quem estará na sala, qual a maturidade digital da empresa, o que já foi tentado internamente e qual assunto é sensível demais para o palco.
Vale lembrar que o público também define o que é considerado ganho. Para muita empresa, o valor da IA não está em criar conteúdo mais rápido, e sim em reduzir atrito na operação. Se a palestra não conversa com o problema real daquela plateia, ela vira teoria.
3. Sobra algo aplicável?
Aplicável não significa tutorial de ferramenta — ferramenta muda de nome a cada semestre. Significa sair com algo que sustenta decisão: um critério para escolher onde começar, os processos que costumam dar retorno primeiro, os erros mais caros, uma forma de avaliar proposta de fornecedor.
Um teste simples: peça para ver o último bloco da apresentação. Se for uma frase de efeito, a palestra termina em inspiração. Se for um conjunto de perguntas que a empresa precisa responder internamente, termina em trabalho — e é isso que você quer.
Perguntas objetivas para o briefing
- Qual é o objetivo do evento: provocar, alinhar a liderança ou destravar um projeto que já existe?
- O que a plateia já sabe sobre IA e o que já tentou usar?
- A palestra é abertura, encerramento ou sessão fechada com o time de decisão?
- Haverá espaço para perguntas abertas — e o palestrante sustenta perguntas difíceis sem roteiro?
- O que acontece depois, no dia seguinte, com o interesse gerado na sala?
O formato importa tanto quanto o tema
Uma keynote de abertura nivela linguagem e cria contexto comum antes do resto da programação. Uma keynote de encerramento consolida e aponta direção. Uma sessão fechada com a liderança faz outra coisa: discute o caso específico da empresa, com nomes, números e restrições reais sobre a mesa — algo que não se faz com trezentas pessoas na plateia.
Painel e mediação servem quando o objetivo é confrontar visões, não apresentar uma. Errar o formato é tão comum quanto errar o tema, e mais difícil de perceber antes do evento.
Palestra gera intenção; não gera capacidade
Esse é o limite honesto do formato. Uma hora de palco muda a conversa interna, alinha vocabulário e cria disposição para tentar. Não instala método. Se o objetivo é que as equipes saiam praticando, o caminho é combinar a palestra com um formato de mão na massa — um workshop de inteligência artificial com entregável ao final resolve o que o palco não resolve. Planejar essa continuidade antes do evento evita o efeito mais comum: entusiasmo alto no dia, nada em trinta dias.
Uma opção para avaliar
Se a busca for por alguém que opera IA dentro de empresas e não apenas comenta o assunto, vale colocar na lista o trabalho de Paul Gomes como palestrante de inteligência artificial. Ele é Fundador e CEO do Grupo WYS e Chief AI Officer do grupo, onde lidera as iniciativas de inteligência artificial, estratégia de dados e tecnologia avançada, além de ser o fundador da BrainPilot, a consultoria de IA empresarial da Wys.
Os temas disponíveis são quatro: a internet invisível; GEO, sobre ser encontrado pelos modelos; terceirizando a cognição; e o futuro dos negócios na era dos agentes. Os formatos seguem a lógica descrita acima — keynote, imersão fechada para liderança e painel com mediação. A descrição completa está em paulgomes.com.br/palestras, e o arquivo de ensaios técnicos serve como amostra da linha de raciocínio antes de qualquer decisão.
Para discutir tema, formato e adequação ao seu público, fale com a equipe da Agência Wys com o contexto do evento, o perfil da plateia e a data.